segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Terapia comunitária

A Terapia Comunitária se caracteriza por um espaço de acolhimento, de escuta e de convivência social. É um instrumento que nos permite construir redes sociais solidárias de promoção da vida e mobilizar os recursos e as competências dos indivíduos, das famílias e das comunidades.

É uma rede de apoio, que oportuniza a cada um agregar novos valores, trocar experiências, partilhar emoções, independente da cultura, da idade, classe social e nível de instrução. A TC propõe mudanças, ir além do unitário para atingir o comunitário. Sair da dependência para a autonomia e a co-responsabilidade. Modelos que geram dependência são entraves a todo desenvolvimento pessoal e comunitário. Estimular a autonomia é a forma de estimular o crescimento pessoal e o desenvolvimento familiar e comunitário. A consciência de que as soluções para os problemas provêm da própria comunidade reforça a autoconfiança, e a superação dos problemas já não é mais obra exclusiva de um individuo, de um líder, de uma coletividade. O indivíduo deixa de ser objeto passivo de intervenção para se tornar um parceiro ativo e sujeito de sua história.

Nas vivências terapêuticas uma pessoa pode apoiar a outra. A presença e a participação do outro é importante e é o referencial de apoio. Expandir conhecimentos e pontos de vista sobre emoções que todos nós sentimos, a cada encontro. Ver além da carência para ressaltar a competência. O sofrimento vivenciado é uma grande fonte geradora de competência que precisa ser valorizado e resgatado no seio da própria comunidade, como uma forma de reconhecer o saber construído pela vida.
Da descrença na capacidade do outro, passar a acreditar no potencial de cada um. Cada um tem um saber, construído com as experiências da vida ou adquirido dos antepassados. O aprender coletivamente gera uma dinâmica de inclusão e empoderamento.
Ir além do privado para o público. A reflexão dos problemas sociais que atingem os indivíduos sai do campo privado para as partilhas públicas, coletivas e comunitárias. Dar ênfase no trabalho de grupo, para que juntos partilhem problemas e soluções e possam funcionar como escudo protetor para os mais vulneráveis, sendo instrumentos de agregações e inserção social.
A Terapia Comunitária pode ser aplicada em qualquer espaço comunitário: Igreja, sindicato, escola, pátio, hospital, e outros espaços institucionais. O terapeuta deve ainda estar atento para ações importantes na mobilização da comunidade. É importante convidar pessoas para formar uma equipe de animação, que podem enriquecer a terapia com música, alegria e momentos de espiritualidade.
A TC, com local e horário definidos, desenvolve-se em seis etapas:
1- Acolhimento
2- Escolha do tema
3- Contextualização
4- Problematização
5- Rituais de agregação e conotação positiva
6- Avaliação.

Os terapeutas que conduzem a Terapia Comunitária devem ser criativos, intuitivos e inovadores. Jamais devem culpar, condenar ou padronizar comportamentos. Num grupo de pessoas circulam os papéis, existe aquele que fala demais, o que chega atrasado, o que se mantém em silêncio, os que choram, os que riem e o terapeuta também faz parte deste grupo e está sujeito a emoções fortes que precisam ser trabalhadas nas supervisões. É muito importante o manejo do terapeuta, pois depende dele conduzir o grupo para que as pessoas em cada encontro sejam capazes de pensar e refletir sobre as sensações, emoções e pensamentos para acontecer às mudanças.

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